Semeando


Carinho de criança
23 de novembro de 2016, 1:11
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De volta a Florianópolis, visitei a Escola Básica Vitor Miguel de Souza, no Itacorubi. Falei aos alunos do primeiro ano, e foi muito animada a nossa reunião.

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Recebi o carinho de ser presenteada com muitos desenhos feitos por eles, que também se distraíram colorindo as folhas que levei.

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Após o recreio, aproveitando minha estada, ainda conversei com a turma do segundo ano. Em 2017 devo voltar e me encontrar com novas turmas.

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Nem sempre é fácil
23 de novembro de 2016, 1:03
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A diretora de uma escola estadual de Niterói me chamou para falar aos alunos de duas turmas do 6º. Ano. Ela havia ganhado o Semeando de presente da irmã, que comprou o livriho na Costa da Lagoa. Fiquei animada: conversar com adolescentes até então tinha sido um desafio muito estimulante e enriquecedor. Nunca tive medo ou qualquer tipo de problema com eles, pelo contrário, sempre fui bem recebida.

Logo percebi que não seria fácil minha empreitada: alunos de 12 a 16 anos, de famílias desestruturadas, vivendo em ambiente hostil, tendo a escola como única possibilidade de contato com a civilidade. Após me apresentar à primeira turma, a diretora precisou ficar pedindo silêncio, chamando a atenção de um ou de outro todo o tempo. Eles conversavam, riam, se empurravam, trocavam de lugar, batiam com a mesa no chão, arrastavam as cadeiras, num barulho que tornava impossível me ouvirem. Ou demostravam claramente seu desinteresse, debruçados sobre a mesa, bocejando alto ou se espreguiçando…

Quando, à duras penas, finalizei a fábula do Beija-Flor, perguntei se alguém tinha uma sugestão para um final feliz para a história, ao que um garoto respondeu: “O Beija-Flor morreu queimado”. E a turma inteira caiu na gargalhada. Foi difícil conter as lágrimas. Depois de tentar outras dinâmicas, sem sucesso, um garoto, sentado mais próximo de mim, disse baixinho: “Professora, eu peço desculpas em nome da turma”. Agradeci comovida. Pelo menos esse aluno foi solidário: aquele pequeno mundo não estava de todo perdido.

Falei no vazio. Não tive contato visual com nenhum deles. Não consegui olhar nos olhos de ninguém enquanto falava. Isso foi o mais triste de tudo: a constatação de que meu trabalho foi em vão.

Hora do recreio: momento para beber água e recuperar o fôlego para encarar a outra turma. Um dos alunos sugeriu nos posicionarmos em círculo, o que facilitou a dinâmica. Este teria sido o pior dos grupos para quem já falei, se eu não tivesse conhecido o anterior. Bem ou mal, conseguimos fazer algumas dinâmicas. Até me animei a registrar esse encontro em fotos.

Como é difícil o trabalho da diretora dessa escola. Gerenciar um lugar sem recurso algum, num lugar tão carente de valores. E tendo que ser, além de administradora, mãe, psicóloga, assistente social, mediadora de conflitos de todo tipo e ver seu trabalho tão pouco reconhecido pelo Estado.

Voltei muito triste. Nem tanto pelo fracasso do meu esforço, mas muito mais por constatar a falência da educação. E saber que esta triste realidade é o retrato do Brasil, que pouco investe no único item capaz de torná-lo uma nação próspera e respeitável.

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Propaganda de amiga vale ouro
3 de novembro de 2016, 17:34
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Fui convidada por uma amiga de amiga para visitar a Escola Desdobrada de Jurerê, em Florianópolis e conversar com uma turma do 2º e uma do 3º ano.

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Já na primeira turma fui recebida com um “bem vinda” em coro. Os alunos foram muito participativos e, ao final, perguntaram quando eu voltaria.

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Na outra turma, distribuí os marcadores de páginas e um dos meninos pediu para que eu o autografasse. Aí todos quiseram! Recebi até um abraço inesperado e todos se comprometeram a “apagar o incêndio da violência”.

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Lancei e semente e acho que começou a germinar, pois ao sair da escola uma das professoras me disse que usou o “Semeando” na aula de Matemática, multiplicando um determinado número de livros pelo valor dele. E como tarefa de casa, pediu para que eles escrevessem uma história em que aparecesse algum ensinamento do Semeando. Fiquei feliz!